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terça-feira, 9 de agosto de 2016

BMW e Ipiranga, carga rápida!

Ipirela, pin up e musa da Ipiranga nos anos 1960.

    Hoje, dia nove de Agosto de 2016, a BMW e a Ipiranga iniciam uma parceria para implementação de postos de recarga. O primeiro é no Rio de Janeiro, na na Avenida das Américas n° 3201, Barra da Tijuca. A escolha do lugar e da época não foi acaso, os estrangeiros, ao contrário de nós, estão acostumados à presença de eléctricos e híbridos, ajudarão os brasileiros a perder o medo da tecnologia.

    Sim, até hoje tem gente com medo de levar choque! Fico passado quando leio e ouço, mas esse atraso ainda persiste; de muitos outros, diga-se de passagem.

    A expectativa é que até Setembro outras quatro capitais recebam os pontos de recarga BMW i Wallbox Pro. E para "ganhar a freguesia", os donos de BMW i3 e i8 terão direito a uma recarga rápida para até 25km, se quiser ampliar a autonomia, tem que desembolsar para encher o tanque; Lembrando que são 3h45m no i3 e 2h30m no i8. Vale lembrar que a parceria não é nova, a Ipiranga já sorteou carros e motos da marca, basta ver aqui e aqui.



    Ao todo esperam instalar cinqüenta pontos de recarga pelo país. Parece pouco para os 8,5 milhões de km² que temos, mas é uma iniciativa muito ousada para a mentalidade vigente, tão ousada quanto a da BMW iniciar a venda de seus híbridos aqui mesmo antes de a sobretaxa para eléctricos ser revogada.
Sorry! It's only for BMWi. Blame for Mary Barra!

    Claro, também se pode desembolsar R$ 8.638,00 e levar o carregador básico para casa, preço normal para os clientes da bávara, mas algo complicado para quem mora em apartamento. O ponto de recarga vai usar a rede do condomínio, então condôminos e síndico de pouca cultura afim podem criar problemas.

    E os carros de outras marcas, como ficam? Bem, ficam na tomada! A parceria é entre os dois "Is", os outros que façam as suas. Quem sabe algum posto consiga oferecer uma recarga rápida por um preço camarada, mas não alimentem esperanças. Não por enquanto.

Mais detalhes, clicar aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Plugue no poste


  Um dos maiores problemas do automóvel até a Primeira Guerra Mundial, era o reabastecimento. Não havia essa fartura de postos de combustível que temos hoje, na verdade nem todos os lugares tinham e os inimigos dos motores a combustão interna se valiam disso, sempre decretando o fim do que era, até então, um mimo para magnatas. Pois a máquina venceu a tração animal, a ponto de hoje ser usada como argumento pelos que defendem o fim do uso de cavalos como tratores. Agora imagine se as fábricas da época tivessem investido em postos a meio caminho entre as cidades, permitindo que as máquinas rudimentares de então pudessem fazer viagens sem medo?

  Os grandes fabricantes de carros eléctricos estão investindo nisso. A BMW foi além, desenvolveu um recarregador que também serve de poste de iluminação pública, chamado "ChargeNow". Dois deles já estão funcionando em Munique, em frente à sede da montadora e qualquer um pode recarregar lá, não só os i3 e i8. É aqui que a coisa fica mais interessante...

  No começo do século passado, o grande leque de experimentações fazia com que se utilizassem muitas fontes de combustível, dificultando o reabastecimento do producto de uma indústria nascente. Havia gente que batia à porta de residências para poder pegar gás encanado e continuar viagem. Os motores a gasolina tinham mais dificuldades, porque se fosse feriado, poderia não haver comércio aberto para comprar e, como já disse, os postos dedicados eram poucos.

  Já electricidade é tudo a mesma coisa, é electron saindo de um lado para o outro, basta haver uma tomada padrão que até um Mercedes abusado pode se servir dos postes da BMW. Pois a tomada padrão já foi adoptada pelos fabricantes, com seu respectivo plug, embora em uma emergência se possa utilizar a energia residencial de um amigo ou do emprego.

  A grande vantagem do sistema bávaro é dispensar estruturas específicas para um posto de recarga, reduzindo os custos e os prazos de instalação. Virtualmente qualquer poste serviria. E é esta extrema simplicidade conceitual que deve assegurar o sucesso da empreitada, tanto quanto o vexame do Brasil, que ainda nem sabe o que é um posto de recarga rápida. Mas o que esperar de um país que proíbe o uso de motores diesel em carros pequenos, sem justificativa técnica decente, com os vizinhos deitando e rolando com os pequenos brutos?

quarta-feira, 12 de março de 2014

A revolução debaixo da tinta


     Confirmados respectivamente para entrarem em produção Abril e Junho, os BMW i3 e i8 têm bem mais do que a chancela bávara como argumento para entrarem para a história. Tampouco somente pelos números impressionantes do coupé i8; 362cv de potência combinada, faz de 0 a 100 em 4,4s, e corre 47,5km com um litro de combustível.

     A maior revolução o comprador não pode ver, e beneficiará toda a indústria automobilística, inclusive as de fundo de quintal. A BMW, para dar conta da demanda, já que o primeiro ano de produção de ambos está vendido, duplicará a produção de peças de fibra de carbono. A bávara já era um dos maiores consumidores individuais do material no mundo, o que por si garantia custos mais em conta, agora desponta uma banalização benéfica da fibra de carbono no mercado mundial.

     A intenção real é estender o uso da fibra para toda a gama BMW, contando para isso com a generosidade dos consumidores típicos de eléctricos e híbridos, que pagam mais cientes de que estão financiando as pesquisas para a popularização da tração eléctrica. A julgar pelo sucesso estrondoso, muito acima do que o fabricante imaginava, isso se dará rapidamente.


     Alemães e japoneses já tinham, há alguns anos, desenvolvido métodos mais eficientes para produzir e montar peças de fibra de carbono, o que a baratearia de sobremaneira, só faltando uma montadora de grande porte adoptar a idéia. A BMW não foi a única, mas foi a que investiu mais. Ousando como nenhum outro, os alemães da Baviera apostaram no sucesso que a Tesla obteve, abandonando o bordão mendicante do "Compre porque é eléctrico" para usar o "Compre porque é bom". Com isso, o carro eléctrico deixou de ser desejo de bicho-grilo para se tornar desejo de abonados que querem ser vanguarda; os híbridos acabaram se beneficiando também.

     Para os leitores tenham uma idéia do que é essa evolução, basta imaginarem um kit-car de fibra de carbono, que hoje custa fácil mais do que o dobro do de fibra de vidro, custando apenas um pouco mais. É como um BMW Série 7, que tem cerca de 1800kg, ficar mais leve do que um Série 3, com cerca de 1450kg, sem aumento significativo de preço. Talvez nenhum.

     O resultado é fácil de se prever, qualquer motor mediano daria desempenho esportivo ao kit, algo como um VW AP2000 dar a mesma aceleração de um bom Chevrolet V8 350". A suspensão poderia ser mais barata, os freios menores, os pivôs de carros pequenos, enfim... Um buggy com motor de motocicleta de 250cc, por exemplo, já se tornaria exeqüível. Será viável, inclusive, fabricar seu carrinho artesanal em fibra de carbono. Sonho? Não, felizmente não.

     A fibra de carbono é a antessala do grafeno. Para quem nunca ouviu falar, simplificadamente, é um composto de carbono que segue a mesma linha da fibra de carbono e do grafite, esse do teu lápis mesmo. Ele supera em absolutamente tudo o aço, sendo mais leve do que o alumínio e permitindo uma precisão de engenharia que os metais não permitem. Um motor à combustão poderia ser todo feito de grafeno e fibra de carbono, podendo dispensar até a lubrificação, na maioria dos casos. Um motor de ciclo diesel assim, poderia dispensar até a refrigeração. Tudo isso está sendo financiado por quem compra carros eléctricos e híbridos de luxo.

     Para quem não entendeu ainda, vou esmiuçar. O desenvolvimento dos eléctricos e híbridos, que "não é carro de macho", está beneficiando e prolongando a existência dos seculares motores de pistões, especialmente os auxiliados por algum motor eléctrico. Os "carrinhos de mulherzinha", como se as locomotivas usassem transmissão por engrenagens, estão permitindo aos carros convencionais que coexistam com os eléctricos por mais tempo, tirando a argumentação dos ecoxaropes fundamentalistas.


     Bem, para a alegria dos endinheirados brasileiros, os dois modelos estão confirmados para o nosso mercado. No máximo até o início de 2015, já veremos i3 e i8 saindo de nossas revendas autorizadas BMW.


   E para a alegria dos ricaços com consciência ecológica, a Rolls Royce confirmou que produzirá modelos híbridos. A rejeição ao protótipo eléctrico 102 EX, segundo a marca de propriedade de BMW, se deveu à baixa autonomia e ao tempo de recarga, incompatíveis com os padrões da Flying Lady. A autonomia é cascata, a Tesla provou que quem paga o preço, tem a autonomia que quiser, e muita gente paga. O tempo de recarga afaz sentido, não tanto, mas faz. O certo é que teremos outra revolução, desta vez de conceitos, ainda que apenas para se adequar à legislação ambiental dos americanos; porque os chineses pouco se importam, quase nada mesmo.