quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Outlander HPEV, dura de comprar, barata de manter

Fonte: http://www.treehugger.com/slideshows/cars/mitsubishi-unveils-outlander-plug-hybrid-paris-motor-show/

Digo de cara o número impressionante de uma rural avantajada: média de 62,5km/l. Não, não é um consumo de melhor passagem, é médio. Isso significa que chega fácil a 65km/l, o consumo de uma Biz bem regulada... só que com duas toneladas a mais. A autonomia é de generosos 880km. O impressionante, é que este consumo é de um motogerador à gasolina. Pois é, eu também pensava que fosse diesel, foi mais difícil confirmar a informação, do que eu supunha.

Fonte: http://www.japanesesportcars.com/photos/desktop-wallpapers/mitsubishi/2014-mitsubishi-outlander-phev/2014-mitsubishi-outlander-phev-010.jpg.html

Já conhecida do brasileiro, é um dos poucos utilitários esportivos que não faz cara de psicopata, para transmitir respeito. Não é porque a Mitsubishi tem fábrica em Goiás, mas trata-se da rural de desenho mais elegante à venda no Brasil. Já a qualidade estrutural, é chover no molhado afirmar que muitos dos primeiros TR4 feitos aqui, ainda rodam como se fossem novos.

Fonte: http://www.cars-specifications.com/mitsubishi/mitsubishi-outlander-plugin-hybrid-paris

Outro número impressionante, é o tempo de recarga deste híbrido plug-in, são quatro horas e meia para carregamento total. Já disse e repito, é raro alguém deixar as baterias se esgotarem completamente, praticamente só os neuróticos electrophbicos da Topgear o fazem... de propósito. Sendo híbrida, então, é virtualmente impossível, ainda mais com a frenagem regenerativa sendo tão utilizada na cidade. O pacote de baterias é modesto, apenas 12kWh, mas é o suficiente para o trabalho conjunto dos três motores.

Fonte:http://www.greencarreports.com/news/1079472_2013-mitsubishi-outlander-plug-in-hybrid-gallery-2012-paris-auto-show

São três motores, um de dois litros, que gera 98cv, e um eléctrico em cada eixo, com 41cv cada. Concluo que gerador e mortores eléctricos são de muito alta eficiência, para a diferença de potências não chegar a 20%.

Aqui deixo um comentário aparentemente maldoso, mas que é pertinente... Trata-se de um veículo apropriado para nossas cidades, que não podem ver chuva. Caso o motor à combustão apague por calço hidráulico (quando a água entra pela admissão e invade os cilindros), é só acionar o modo eléctrico puro e ir devagar, sem medo. Dá para rodar mais de 55km, só com as baterias.

Fonte: http://www.neocarmodels.com/2013-mitsubishi-outlander-plug-in-hybrid-version-production-in-paris-releasedate-review-specs-photo-price

Outro número impressionante, mas que me mata de vergonha, é o preço. São 2,89 milhões de Ienes, cerca de R$ 70. 270 Reais, contra 4,29 milhões de Ienes da versão comum, cerca de R$ 104.064. Estranharam a conta? É que por causa do consumo, e por ser híbrida, ela tem incentivos do governo japonês, e como foi-se o tempo em que uma versão híbrida de fábrica, custava o dobro ou mais do preço original, a Outlander híbrida acabou ficando quase um terço mais barata. E o Brasil teima em socorrer as ações da Petrobras, boicotando esses veículos!

Fonte: http://www.japanesesportcars.com/photos/desktop-wallpapers/mitsubishi/2014-mitsubishi-outlander-phev/2014-mitsubishi-outlander-phev-003.jpg.html

Mesmo com esse boicote vergonhoso, ela poderia vir aproveitando as mesmas regras que beneficiam o Prius, e que evitaram que ficasse excessivamente caro, por causa do baixíssmo consumo. Ainda que fosse à diesel, a 4X4 reduzida pode ser comprovada, mesmo sem ligação entre o motor à combustão e as rodas, já que os eléctricos poderiam ser incorporados às rodas, mas utilizam redução.

Mas vem? É provável que venha. O Prius, ainda que eu tenha críticas ao fraco resultado de consumo, e o Fusion Hybrid abriram caminho, já há muita gente preferindo os híbridos. Infelizmente, por cá ela custaria não menos de R$ 150.000,00. Mesmo enquadrada como veículo de baixo consumo.

O público é claro, famílias grandes, frotistas inteligentes e fazendeiros sem preconceitos bobos... o que no Brasil é muito raro. Uma terceira fila de bancos, embutida no assoalho do porta-malas, permite levar seis passageiros. Ao contrário do Fluence ZE, as baterias da Outlander ficam sob o assoalho central, poupando espaço e equilibrando a distribuição de peso, o que favorece a estabilidade.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

100km/l

 A Audi confirmou pra 2015, o lançamento de um utilitário para quatro pessoas, diesel-híbrido, capaz de fazer qualquer motocicleta parecer beberrona.

Não há detalhes técnicos, nem mesmo sobre as baterias. O que se sabe, é que o carro terá um motor diesel de compactos 800cc, que despejará 48cv. Potência modesta até para os turbodiesel modernos, de pequena cilindrada, mas pode ser um indicativo de que trabalhará em rotações mais baixas.

Um motor eléctrico de 25cv será a contraparte, totalizando 73cv. Provavelmente os 25cv são nominais, ou seja, são a potência com que o carro pode contar normalmente. De pico, para acelerações mais fortes, normalmente por não mais do que um minuto, provavelmente tem pico de 50cv.

Wolfgang Durheimer, director de pesquisa e desenvolvimento, assegura que mesmo fazendo 100km/l, o carro estará ao alcance financeiro do público médio da Audi. Não, eu não acrescentei um zero e não omiti o "litros por 100km". O carro tem média de cem quilômetros por litro.

Qual a magia? A mesma que faz as gigantescas locomotivas diesel-eléctricas e os imensos caminhões mineradores, terem custos operacionais viáveis, apesar de poderem desenvolver milhares de cavalos-vapor como potência média, de cruzeiro. São híbridos. Os motores eléctricos optimizam enormemente o funcionamento dos de ciclo diesel, permitirno que trabalhem com potências que os deixariam abaixo da roteção mínima de operação, se utilizassem caixas de marchas para transmitir força às rodas.

Some-se a isto a engenharia alemã, a tecnologia de ponta de uma marca premium tradicionalíssima, a liberdade de poder trabalhar com pouca carga e pronto. A certeza é de que cairá no gosto de muitos artistas, o que será publicidade instantânea para a Audi, passaporte para despertar a empatia do público. Espera-se que até lá, os efeitos graves da crise já tenham passado.

Até lá, as baterias da CallBattery, já estarão no mercado, custando 70% menos e sendo cerca de 60% mais leves do que as actuais; ver clicando aqui. A marca premium da Volkswagen já estar de olho nisso.

Vir para o Brasil, é pouco provável. Se não mudarem a regra arcaica de proibir veículos de passeio com ciclo diesel, ou pelo menos abrir exceção para os híbridos com uma parcela mínima de potência eléctrica, só virá como carro de embaixada e afins.

California Lithium Battery, clicar aqui.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Fiat 500e na tomada


Para enfrentar o Spak EV, que tem carinha de pókemon, a Fiat anunciou o lançamento do 500e, com previsão para chegar já no primeiro trimestre de 2013, com cinco cores: preto, pérola, cinza, prata e "laranja eléctrica"... Sim, é a cor das ilustrações de divulgação.

Por causa da teimosia incompreensível dos italianos, e conseqüente retardo nas pesquisas afins, o Fiat é tecnicamente um pouco inferior ao concorrente, não só por ter apenas duas portas. São 111cv de pico, e cerca de 21kgfm de torque máximo. A autonomia também não surpreende, cerca de 130km em rodovia e 160km na cidade. Velocidade máxima de 137 km/h. Tudo financiado por 24kMh de baterias de íon de lítio.

O tempo de recarga total, na hipótese de o motorista ser um completo mongo, ou estar em uma situação de extrema emergência e não poder atender aos avisos do carro, com as baterias completamente arriadas, é de quatro horas em uma tomada de 240V, ou doze em uma de 120V. Carregadores domiciliares, que por lá já não são novidade, dão onta do recado. Cargas rápidas não foram citadas, mas é provável que não fuja do trivial, de 80% da carga total em não mais do que vinte minutos.


Um benefício resultante das pesquisas do 500e, e que espero que migre logo para os outros, é o estudo aerodinâmico. Foram cento e quarenta horas no túnel de vento, para garantir oito quilômetros a mais de autonomia. Bem, não bastaria colocar adereços aerodinâmicos já comprovados em pistas? Sim, até dispensaria os investimentos, mas a Fiat quis manter a aparência original, o que não significa que um técnico que saiba o que está fazendo, não possa providenciar isso.

Virá ainda com uma tela circular de sete polegadas, como painel de instrumentos, com mostradores digitais, aplicativo para celulares Apple, com plataforma Android, que inclui o monitoramento completo do carro, informando sobre carga, autonomia, GPS, e tudo mais que frita os nervos do motorista experiente, mas faz a alegria de quem não está acostumado a trafegar por longas distâncias. Questão de se habituar, ou escolher outro plug-in, menos mimador.


Inicialmente, até a demanda se consolidar, será oferecido apenas no Estado da Califórnia. Medo de perder dinheiro, afinal o Volt é um fracasso de vendas e o Model S está encalhado desde o primeiro exemplar... Não me admira que a Ferrari tenha demorado tanto a anunciar seu sistema híbrido! A Porsche há muito já consolidou o seu, fazendo mais por litro do que muitas motocicletas.

Não fosse pela Chrysler, que já tinha híbridos e eléctricos puros em estudo, antes da quase falência, talvez o 500e jamais tivesse saído do papel... E a Fiat jamais tivesse um SUV de verdade, como a Freemont, que ficaria muito bem com um sistema híbrido de primeira linha.

O preço inicial é de pouco mais de US$ 36.000,00, certamente não será por ele que o Spark EV perderá clientes. O 500e foi pensado como um carro de nicho, enquanto o Chevrolet foi pensado para as massas. As quatro portas do Spark provam isso. Aliás, é quase o preço do Focus EV, que raspa os quarenta mil dólares oferecendo um conteúdo muito superior, além de espaço para a família toda, ou os amigos.

O sucesso nunca é certo, mas tendo em vista o local escolhido, ele é muito provável, tanto quanto a breve necessidade de a Fiat rever seus planos de distribuição. Quem sabe, até oferecendo uma versão com pacote extra de baterias, e uns cavalos-vapor a mais. Talvez o sucesso inesperado até estenda a versão "e" para outros modelos, como os utilitários, talvez até a Freemont.. Só um devaneio, mas com chances de se concretizar.

Brasil? Quê que tem? Não há planos nem de vender para o México, que dirá o Brasil! Só por importação independente, pagando uma pequena fortuna pelo carrinho, sem garantias, sem assistência técnica e tudo mais. Ou seja, só para os ricos que quiserem um brinquedo caro e exclusivo, porque demorará a chegar por aqui.

Para mais, clique aqui, aqui e no website da Fiat USA aqui.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

O Spark é o maior barato!

Fonte da imagem: http://www.chevrolet.com/spark-mini-car.html

Menos de US$ 25.000,00. Este é o preço previsto para o Chevrolet Spark EV, que chega em 2013. O dobro do Spark à combustão, básico.

Se beneficiando do sucesso comercial, técnico e evolutivo do polêmico Volt, o chevinho com cara de Pikachu deverá ser o carro eléctrico de série mais barato do mundo. A que custo, não se sabe ainda, detalhes técnicos estão na esphera do suspense mercadológico; cousas de General Motors.

Embora a autonomia não tenha sido divulgada, espera-se que fique em não menos de 160km com uma carga, a 100km/h... Levando em conta que a GM está bancando o desenvolvimento da evolução das baterias de polímero de lítio, podemos esperar 200km ou mais. A GM só promete que ele vai bem mais longe do que seus concorrentes directos.

Que concorrentes directos? Se for no preço, nenhum. Na autonomia, temos a minivan iMiev, por exemplo, que custa mais de cento e cinqüenta mil reais, a quem encomendar por uma concessionário Mitsubishi, e roda até 160km sem recarga.

Para quem não se lembra, ou não leu, são baterias mais enxutas, com menos meterial inerte, aquele que não perticipa das reações químicas da bateria. O resultado é um cojunto que pesa menos de 2,5kg/cv produzido, custaria menos da metade das baterias actuais, e teria uma durabilidade muito maior. Mas falo das boas, não daquelas que se lembram de quando a frenagem adicionou um kWh, e nunca mais conseguiu armazenar mais do que isso.

No Spark, o conjunto debita 20kWh, ou 27,2CVh, o que reforça a hipótese de a autonomia ficar por volta 200km. É um carrinho leve e aerodinâmico.

O desempenho é muito interessante. Com 132cv de pico, ele vai de 0 a 100 em menos de oito segundos, levando os donos de GTs fajutos, às lágrimas.


Uma boa opção que oferece, é um sistema de recarga que injecta 80% da garga total em vinte minutos. Utilizado com parcimônia, ele não só não oferece riscos às baterias, como ainda permite fazer uma boa viagem. provavelmente dá para sair de São Paulo, comer enquanto ele recarrega, e visitar a amiga Patrícia Balan, no Rio de Janeiro.

O hatche esquisitinho, visto como um brinquedo de gente grande nos Estados Unidos, quase um carro de estepe para as pick-ups gigantes de lá, tem chances de vir para o Brasil. Sim, novamente o efeito Tesla se manifesta. Primeiro a BMW trará o i3 e o esportivo i8, há rumores de que a Audi não vai levar o desaforo para casa, e agora a conterrânea Chevrolet, que há muito já sonda nosso mercado com os Volt que a directoria utiliza; não bastasse o frison do Voltxpedition, que viajou pelo país inteiro promovendo o carro.

Por aqui ele custaria o dobro ou mais, provavelmente encostando nos cem mil reais. Pensar em setenta e cinco mil não é utopia, mas é um exerecío de optimismo. Em todo caso, a GM tomou gosto, ainda que à força, pelos plug-in. Se um dia voltar a fazer picapes grandes e caminhões por aqui, talvez nos agracie com belos diesel-híbridos.

Para mais, clique aqui e aqui.

sábado, 17 de novembro de 2012

Fórmula E irá para o Rio de Janeiro.

Protótipo apresentado em Moscou

A FIA queimou, ou melhor, eletrocutou a língua dos chefões da Fórmula 1. Com o desenvolvimento acelerado para a primeira temporada, prevista já para 2014, a Fórmula E ganhou adesão em peso das equipes, já são dez confirmadas, sendo esperadas mais duas até a temporada de 2016.

Não, não haverá os roncos agudos e estridentes dos motores de altíssima performance, mas que muitas vezes precisam importar seu combustível, já que muitos países não vendem gasolina que preste, incluindo o Brasil. O argumento da emoção e do carisma, que eles mesmos mataram com as vitórias arranjadas, é um obstáculo a ser superado com a maturidade da nova categoria.

O anúncio mais recente é da McLaren, que faz parceria com a Spark Racing Tecnology (SRT), para produzir quarenta e dois carros. Os motores de todas as equipes, ao menos por hora, serão feitas pela McLaren. A velocidade de ponta não empolga, são 220km/h. Um Fórmula 1 passa de 320km/h em grandes retas, mesmo com a pressão aerodinâmica das asas gerando um astronômico Cx, não raro passando de 1,25. 0,4 de Cx, hoje, já é considerado ruim. A autonomia prevista é de parcos vinte e cinco minutos.

A vantagem vem com a possibilidade de retomatas e ultrapassagens de tirar o fôlego, já que o torque é instantâneo e, sendo veículos de competição de ponta, a vida útil dos motores será deliberadamente comprometida em prol do avanço nas pesquisas, o que resultará em enormes potências de pico. Dados técnicos detalhados ainda são meramente especulativos.

Outra vantagem, justo pela ausência de ruídos excessivos, é as provas poderem ser realizadas em centros urbanos, próximos até mesmo a bairros densamente povoados. Para terem uma idéia, o Rio de Janeiro já assinou o protocolo para sediar uma prova.

A emoção ficará por conta da troca de carros. Sim, haverá duas trocas de carros durante as provas, daí a grande quantidade de veículos encomendados. Se o piloto tropeçar, ou o carro não estiver no lugar certo para a troca, os nervos vão passear sobre a pele. Para as equipes, isso parece ser mais prático do que uma troca de baterias, que são poucas e intrgradas ao carro.

Francamente, é mesmo melhor. Por que? Porque permite fabricar veículos com monocoque total, ou seja, até as caixas de baterias fazendo parte da estrutura, reduzindo drasticamente as massas e aumentando dramaticamente a rigidez torcional; para os leigos , isso evita que o carro seja literalmente torcido em uma curva mais rápida. Sabe quando a porta do carro parece que vai abrir, mesmo tendo sido trancada? É disso que falo.

Que benefícios isso trará, para nós, pobres mortais sem verba para forçar individualmente a evolução dos eléctricos e híbridos? Os mesmos que as categorias de ponta deram aos carros à combustão. É, provavelmente, o acelerador que faltava ao mundo da emissão neutra. Tudo ficará mais barato, em pouco tempo, como aconteceu com a suspensão activa, o freio ABS (que não vingou na F1 por ser pesado e volumoso), a suspensão multi-link, a fibra de carbono, enfim... Os cerca de R$ 700,00 por cavalo líquido hoje cobrados por um banco de baterias, pode carir rapidamente para R$ 350,00 ou menos.

Sabem quem será a maior beneficiada com isso? A Daimler-Benz. O divórcio das duas empresas não foi necessariamente litigioso, elas ainda cooperam entre si. Se cuida, tesla!

Para mais informações, cliquem aqui.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Dauphine Henney Kilowatt - quase deu certo.

Fonte da imagem: http://www.forum-electricite.com/intensite-electrique-batterie-voiture.htm

Em uma época em que o petróleo parecia ser eterno, ao contrário do que os cientistas já diziam, e em que o americano não queria saber de outro carro pequeno, além do Fusca, a Renault teve um representante em terras do Tio San. Foi uma tentativa frustrada, mas de um ano para cá a sua história tem sido resgatada, e o devido valor à iniciativa mal calculada.

Em 1959 a Henney transformou o Renault Dauphine, que evoluiria para o Gordini, em veículo de tração eléctrica. Decerto que as baterias eram as caras, pesadas e volumosas cumbo-ácidas, usadas em tratores. A honestidade excessiva assustou o público, embora a argumentação de uma boa opção para deslocamentos menores, como levar as criançsa á escola e ir ao mercado, fosse atraente; mas uma hora de autonomia à máxima de 60km/h, em uma época de velocidade livre nas vias expressas, fez nossos irmãos extravagantes o verem mais como brinquedo do que como transporte.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Henney_Kilowatt

Brinquedo caro e perigoso demais para crianças, um carro lento e vulnerável demais para a família, especialmente em um país onde se dirige por dias. à toda velocidade, sem precisar de passaporte. Trazia um cabo de 7,5m para as dez horas de recarga completa. Tempo demais para o americano médio apressado. Ter baterias extras não é como ter pilhas extras, para quando as em uso esgotarem. baterias tracionárias de chumbo são muito pesadas, precisam de equipamento de oficina para serem trocadas. Ou seja, ele não atendia às necessidades de uma família.

Em 1960, já com uma má fama instalada, as irrisórias dezoito baterias de dois volts, foram substituídas por doze de seis volts. Ainda era pouco para o padrão americano, mas ele já rodava uma hora à máxima de 100km/h. No trânsito urbano, a não mais do que 60km/h, poderia-se rodar por pouco mais de quatro horas, em uma época em que o fornecimento de energia já era farto, barato e muito confiável. Era parar na casa do amigo e plugar o carro na tomada.

Infelizmente, para a Henney, o Fusca já tinha feito sua fama na guerra, da qual muita gente ainda tinha fresca na memória, e os ex-combatentes não hesitavam em recomendá-lo. Não é de hoje que o carro electrico é mais caro do que o à combustão, e estamos falando de uma engenharia (francesa) com fama de duvidosa, enfrentando outra (alemã) que tinha se tornado lenda nos campos de batalha. O resultado foi o que vocês já deduziram. A marca fechou, com ela encerrou-se também a importação regular de Renaults para a conversão.

Ao contrário das tentativas eléctricas, muito tímidas e falhas de profissionalismo até então, o Dauphine Kilowatt revolucionou um mercado que estagnou por décadas, foi o primeiro plug-in puro a ter a carga e recarga regulada por transístores. Para quem não tem idéia do que isso significa, funciona mais ou menos como trocar um frentista cego por outro com visão perfeita. O cego não notaria que o tanque está cheio, até sentir o cheiro forte de combustível transbordando, e o mesmo molhando seus pés. Além do risco de estragar as baterias, os eléctricos mais antigos acabavam aumentando a conta de luz sem necessidade.

Apesar das cem plataformas importadas, só quarenta e sete ganharam as ruas. Ainda tentaram uma evolução, um Henney de 84V, que em princípio manteria 106km/h por uma hora, sem recarga. Se o ganho de velocidade é ridículo, a capacidade de arrancada, aclive e reboque subia consideravelmente. Era tarde para aproveitar os cinqüenta e três carros restantes. Ao que consta, outras empresas e particulares os aproveitaram, em versões bem aperfeiçoadas, inclusive usando baterias de zinco e prata, mas nenhuma saiu do grau de protótipo. Algumas empresas colocaram motores à gasolina no que sobrou e vendeu.

http://grandprix63.blogspot.com.br/2011/01/studebaker-lark-och-golden-gate-bron.html
Em 2001 a canadense Feel Good Cars recondicionou os remanescentes, inclusive com motores e baterias novos. Claro que os entusiastas se apressaram e passaram a pesquisar e divulgar. Inclusive o erro da Henney. Que erro? Dar ao cidadão americano menos do que ele esperava de um carro, mesmo que para justificar um preço menor. Preço e consumo ainda hoje não são determinantes para a compra do americano, imaginem na época.

Fosse um Studebaker Lark com 250km de autonomia, pelo menos, e toda a comodidade da marca dando suporte, o consumidor teria se inclinado mais sem se preocupar com o preço maior, e provavelmente ambas as companhias ainda estariam de pé. Cito a Studebaker, porque sempre foi afeita a inovações, o que acabava limitando sua lucratividade, mas rendeu pérolas para o mundo automotivo. Ao contrário da Willys, ela não tinha medo de inovar, e talvez concordasse em vender carros semi-prontos para a conversão, desde que fizesse jus à fama da marca, é claro. Em suma, a Henney certamente falhou por medo de ousar, porque pouco mais de dez anos depois, a crise do petróleo lhe teria dado um impulso fantástico.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

A boa: o Prius chegou. A má: o Prius chegou.

Ainda é caro, mas já dá para financiar.

Nas ondas da incompetência espherica de um indicado pela pasta-base aliada do governo, os carros híbridos acabaram sendo beneficiados. O regime automotivo idiota fez uma cousa meio-certa, mas por acidente, não por boa vontade.

Uma vez que ele oferece benefícios aos que bebem e poluem menos, mas não dá pelota aos que não poluem, os híbridos estão sendo beneficiados com uma taxação menor. Nesta esteira veio o Prius, cujo primeiro exemplar oficialmente em solo nacional, é do galinho de Quintino, o Zico. Mas o lançamento oficial é para Janeiro.

Dizer que é apenas modismo de quem quer parecer politicamente correcto, é um raciocínio tão simplista, quanto acreditar que carro eléctrico dá choque quando chove. Os riscos de um motor à combustão mal conservado, com velas expostas e fendidas, eletrocutarem os ocupantes, com seus milhares de volts, é muito maior, nem por isso tem-se notícias sérias a respeito. Há os babaquaras que querem só estar na crista da onda, sem serem surfistas, mas estes não contam. Tão simplista também, quanto acreditar que motor de ciclo diesel só queima óleo diesel.

O bom de o Prius vir,  é o tapa na cara dos ignorantes automotivos do ministério das minas e energia, entre outros ministérios. A nova taxação permitiu ao Toyota esquisito ficar bem abaixo dos cento e cinqënta mil reais, que muita gente pensava que fosse custar. Fala-sede ficar entre cem e cento e vinte mil. Se parece muito, vamos enumerar algumas qualidades desse feiosinho:
  • É um Toyota. Por mais que a mídia explore os deslizes, não devemos ser levianos e negar o padrão alemão de construção, que os japoneses adoptaram. Nos Estados Unidos e Japão, ainda é comum ver os primeiros Prius rodando, com as baterias originais, e já vão quatorze anos de lançamento!
  • É um carro médio de padrão internacional. O acabamento e o nível tecnológico embarcado, embora não sejam primorosos, são excelentes, tudo com matéria-prima, mão-de-obra especializada e procedência de boa qualidade. É um carro estável, silencioso, seguro e com muito espaço para a família.
  • Embora o decepcionante índice de 21km/l teime em não crescer, ainda é um consumo baixo para um carro do porte do Fiat Tipo, com a altura aproximada do Mercedes Classe A antigo. E dá, em muitas ocasiões, para se utilizar só o motor eléctrico, quando o percurso for em baixa velocidade e não muito longe. Aliás, no lento e congestionado trânsito urbano, é o recomendado.
  • As baterias foram dimensionadas para durarem toda a vida útil esperada para o carro. São 27kWh que alimentam um trifásico de ímãs permanentes de 33kWh. tirando as perdas, inclusive a da transmissão, dá para rodar uma hora em velocidade urbana, não mais que 45km/h, sem medo e sem ligar o quatro em linha. Acima de 50km/h, ele é ligado automaticamente.

A má notícia. Não será flex. Em vez de utilizar os bons motores do Corolla, ou até o do Etios, a Toyta insiste em manter a imitação de Atkinson. Embora seja mais eficiente, é um motor difícil de flexibilizar, pois usa justo a dispensa de compressão para obter mais eficiência, o que elimina o fator que dava ao etanol, a grande diferença de rendimento em relação aos motores puramente à gasolina. Resultado: é um motor eficiente, mas pouco eficaz, o que acaba dando elas por elas, na ponta do lápis. Com etanol, o argumento ecológico sem ecochatices seria muito maior.

Preciso lembrar que o Porsche Cayene híbrido, faz mais de trinta quilômetros por litro, com um V6 de ciclo otto? Não, né!

Para quem não sabe, quando o Fusca foi relançado, em 1993, só a versão à álcool atendia ás demandas de emissões, a versão à gasolina demoraria mais um ano, e vários cavalos a menos, até ficar pronta. Disto vocês imaginam o quanto a mecânica nacional beneficiaria o Prius.

Outro contra é a teimosia em manter o motor eléctrico amarrado à transmissão mecânica, como se ele precisasse. As perdas, além de inevitáveis, privam o modelo de ter a benevolente tração nas quatro rodas, se ele fosse colocado no eixo traseiro, o que também daria maior equilíbrio de massas; distribuição de peso dentro do veículo, alco crucial para a estabilidade em curvas.

Não toco em uma versão turbodiesel, porque o regime automotivo feito por burocratas burros, não diferencia um carrinho de golfe de um carro de passeio, só por causa do propulsor, e impediu a Kombi de utilizar o bom motor diesel que é feito aqui, mas só pode ser exportado.

Falar em carro caro no Brasil, é quase um pleonasmo, mas o Prius é relativamente caro. Já não é inacessível, mas ainda é caro.

Conclusão: é um híbrido defasado, em termos de resultados e comparado aos mais recentes. Por mais que a Toyota bata a tecla da alta tecnologia, pioneirismo e tudo mais, os alemães conseguem muito melhores resultados sem custarem muito mais. Alguém aí ouviu falar que a Audi está testando um protótipo que faz 90,9km/l? Pois está, e é um tipo de SUV, que não tem nenhuma obrigação de ser econômico.

Mas também é um carro já maduro, com os problemas já atenuados ou até sanados. Um dos poucos que só fizeram melhorar com o tempo, embora menos do que a Toyota é capaz. A montadora já sabe o que fazer e orientar a assistência técnica a qualquer eventualidade, o que é difícil com um Toyota. Já são dois milhões de Prius já vendidos, que constituem uma escola e tanto para a montadora.

Se eu compraria? Talvez. Feiura não é mais problema, uma vez que ser feio tornou-se quase uma regra entre os carros modernos. Tenho restrições técnicas, mas nenhum impeditivo, ainda mais que será montado aqui. Quem sabe aqui a mentalidade pro-pseudo-atkinson muda um pouco, pelo menos opcionalmente.


Website do Prius "nacional", clicar aqui
Teste do modelo que nos será vendido, clicar aqui.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Rimac e seu BMW

Fonte da imagem: http://caranddriverbrasil.uol.com.br/blogs/da-redacao/bmw-m3-eletrico-bate-recorde-de-aceleracao/3251

Já faz muito tempo que o romeno Mate Rimac converteu seu BMW coupé 1984, para rodar apenas com electricidade. Experiência que usará para construir seu super esportivo plug-in de 1088cv. Por ser um veículo destinado ao lazer e ao aprimoramento, algo que dispensa contabilidade financeira, este nunca cessou. O carro, aliás, é muito utilizado para desmitificar as limitações de um eléctrico puro. Algo que, convenhamos, depende muito do recheio do bolso.

Recentemente anunciou a quebra de recorde de aceleração medido pela FIA, fez de 0 a 100km/h em 3,3s, em um percurso de dois quilômetros de uma área militar. Menos tempo do que o necessário para ler direito a oração. O feito aconteceu em dezessete de Abril do ano passado. A demora do anúncio é uma exigência da federação para o reconhecimento de um recorde, se for pleiteada a sua chancela. Máxima de 280km/h. A aerodinâmica manda muito, em carros velozes.

A cavaliaria é respeitável, são 600cv de potência e cerca de 112kgfm de torque instantâneo, embora a reportagem fale em 96 quios. Sem maiores detalhes técnicos, posso assegurar que ele preferiu investir em baterias, motor e segurança, em vez de aparelhagem de som. Sim o carro acaba ficando pesado, caro, necessitando de freios e suspensão muito mais robustos, mas quem lida com competição precisa ter grana para sustentar seu prazer, bem como as pesquisas resultantes dele. Ser pesado reduz a eficiência, mas lembremos que o ganho de massa não é proporcional ao de potência, então a eficácia é preservada. De cara imaginei um Opala Coupé, com esses mesmos números despejados directamente nas rodas. Os leilões dos Detrans têm pilhas deles.

Claro que as baterias de grafeno ainda estão nos laboratórios, assim como os nanocapacitores de altíssima carga. A diversão dura pouco, não mais do que meia hora por recarga, se as baterias usadas forem as de polímero de lítio, as melhores disponíveis no mercado, na época. Seriam necessárias cerca de 2,5 toneladas delas para fornecer 600cv por uma hora, se bem que nenhum super esportivo roda isso em potência máxima, meia hora vendo a paisagem borrada é o máximo que eles oferecem.

Se ele colocou 600kg delas no carro, cada bateria durou de quinze a vinte minutos, por recarga, sendo necessário então, o uso de um carregador rápido, que reduziu sensivelmente a vida útil das baterias. E pelo que o vídeo abaixo mostra, elas ocupam doto o espaço dos bancos dianteiros para trás. Nada que uma reengenharia não resolva, se um dia ele decidir usar o carro para levar a família. Ah, às favas! O cara é rico, sua diversão rende dividendos técnico-científicos, trabalhou para justo para usufruir de seu trabalho.

Bem, imaginem se um carro precisasse carregar uma micro refinaria no porta-malas, para transformar petróleo bruto em gasolina! Ela duraria pouco, bem pouco, além de poluir horrores. Fora que um dispositivo assim seria extremamente frágil e potencialmente explosivo, demandando reforços caríssimos. Aquela conta de que um eléctrico polui mais em sua construção, do que um à combustão, não levou em conta TODOS os factores, ou pensam que seus carros andam sem reabastecer, trocar óleo, filtros e mais uma pancada de peças que os eléctricos dispensam?


Guerras de laudos, meus queridos. Trabalho em Vigilância Sanitária há dez anos, vivemos sendo bombardeados por elas, a maioria omitindo o que não convém a quem pagou pelos laudos; na engenharia de transportes não é nem um pouco diferente.

Dá para se fazer o mesmo em um Opala, Maverik ou Dodge V8, que estava para ser desmanchado? Sim, se topares gastar cem mil doletas na empreitada, além de um monstro destruidor de asfalto, terás autonomia para viagens bem longas. Mas um híbrido misto também seria uma opção muito atraente.

Adivinhem se a BMW não se valerá disso para promover os seus i3 e i8! Veladamente, que seja, como que dizendo "Até o nosso passado está mais apto ao futuro do que a concorrência". E por falar em bólidos, os dragsters eléctricos começam a ter uma categoria só deles, porque conseguem com esses mesmos 600cv, o que os outros não fazem com menos de 2000cv... Claro que não deixar o público surdo é uma vantagem, mas sendo um entretenimento, o silêncio absoluto incomoda muito... Quem sabe, se paralelamente ao desempenho, houver uma premiação para o melhor simulador de ronco...


sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Mercedes SLS AMG Electric Drive, o Eléctrico voador

http://www.autoevolution.com/

Os números são absurdos: 750,72cv e 102qgfm de torque. Vai de 0 a 100km/h em 3,9s. Só a velocidade máxima decepciona, porque a Mercedes-Benz é signatária da limitação eletrônica: 250km/h. Sem ela, chegaria facilmente aos 350km/h. São quatro hubmotors de 187,68cv, que chegam a 13000 rpm e pesam apenas 45kg. Um motor à combustão com essa potência, por moderno que seja, não acrescenta menos de 200kg ao carro. 

http://www.thedetroitbureau.com/2012/09/mercedes-plugs-in-with-sls-amg-electric-drive/

O SLS AMG Coupé Electric Drive é a resposta dos alemães à supremacia esportiva até agora pertencente à Tesla Motors. Além da tradição dos 126 anos de operação, a marca colocou o pacote astronômico na digna reedição de uma lenda, que está se repetindo nas vendas e nos elogios dos mecânicos.

http://www.autoevolution.com/

Pensando nos que gostam do ronco sonoro e imponente do teutão, eles colocaram onze auto falantes dentro da cabine, que reproduzem um sampler do motor à combustão. Basta pressionar o botão "Power" e pronto, o SLS AMG ED deixa de ser um super esportivo para pilotos experientes apreciarem a paisagem, e se torna um super esportivo para pilotos experientes se sentirem impulsionados a acelerar fundo. Imaginem a arrancada do monstro!

http://www.automotiveaddicts.com/32860/mercedes-benz-sls-electric-drive-2012-paris-motor-show

E não, não se trata de um protótipo para o Salão de Paris, o carro será lançado em Junho de 2013, para os poucos afortunados que correrem e garantirem o seu exemplar. À máxima, o banco de baterias com 50kwh instalados, que leva até vinte horas para recarga em uma tomada convencional, oferece uma hora de autonomia. Com uma tomada opcional especial de 20kwh, a recarga se dá em três horas. Quem pagar mais de um milhão de reais por um carro, não vai dispensar este acessório!

http://www.autoevolution.com/

Como uma humilhação por obsolência dos concorrentes não pode deixar dúvidas, o carro ainda oferece três modos de condução, como é de praxe nos modelos da marca: Confort, Sport e Sport Plus. A autonomia declarada é de 250km, o que seria medíocre para o preço e a classe do carro, não fosse omitida a velocidade em que ela é obtida. podem contabilizar uma hora de autonomia em velocidade máxima. 575kg de baterias, para quem decide pagar por elas, fazem milagres.

http://blogs.automotive.com/mercedes-benz-sls-amg-electric-drive-is-the-most-powerful-amg-vehicle-ever-113155.html

Que foi? Pensaram mesmo que os alemães estavam deixando os chineses correrem soltos, sem supervisão? Podem ter certeza de que isto é só o começo. Por hora, o SLS é o eléctrico de série mais potente e veloz do mundo.

Os preços começam em 416.500 Euros.




Website do Salão de Paris, clicar aqui.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Electricidade directo do motor

Fonte da imagem: http://www.bmwblog.com/2008/09/25/bmw-7-series-official-catalog/

Materiais termoelétricos não são novidade, mas também nunca foram olhados com o devido carinho pelos pesquisadores, até o alardeado esgotametno do petróleo se mostrar iminente. Baixa eficiência, geralmente frágeis, só produzindo energia apreciável em faixas estreitas de temperaturas muito elevadas, assim funcionando mais como sensores de monitoramento, do que como conversores de energia.

Pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan estão virando esta página. Desenvolveram um material prático, que converte de trinta a quarenta por cento do calor em electricidadade, em uma faixa relativamente ampla de temperaturas bastante exeqüíveis, especialmente para motores de ciclo diesel. De 400°C a 600°C, o material chamado de ZT, está sendo testado pela BMW... Sim, os alemães de novo!

O facto de os bávaros estarem testando o material, já é prova suficiente de sua aplicabilidade, tanto operacional quanto financeira, ou seja, é bom e tem preço razoável, o bastante para já ser cogitado para uso em carros híbridos. Em princípio, ele será instalado no sistema de escapamento, o que tornará dispensável parte do isolamento térmico, já que parte do calor vai alimentar as baterias. Para o futuro, há a possibilidade de que o ZT torne também parte do sistema de refrigeração, se não todo ele, dispensável em condições normais de uso.

Para quem perdeu o bonde, um motor a combustão convencional dos bons, de pistões e bielas, manda até 70% de sua potência total fora, em corma de calor. Os mais eficientes não chegam a 40% de eficiência térmica. Assim, um motor que manda 100cv para a transmissão, está gerando, na verdade, uns 400cv. A proposta dos pesquisadores, e da BMW, é transformar ao menos 120cv em electricidade. Ou seja, mais do que dobrar a potência disponível, apenas aproveitando o que é desperdiçado. Quem me acompanha, sabe o estrago que um motor eléctrico de 120cv pode causar, em uma arrancada.

Os maiores clientes da tecnologia deverão ser, justamente, os gigantes, como as locomotivas diesel-eléctricas, os caminhões mineradores, os aviões de carreira, mas os super esportivos também deverão se dispor a embutir o custo da tecnologia em seus preços exorbitantes. Os quatro exemplos trabalham com temperaturas internas muito elevadas, jogam grandes quantidades de potência no meio ambiente, sendo que os dois primeiros há décadas são quase sempre híbridos, para terem custos operacionais razoáveis.

Previsão de chegar ao mercado, por enquanto não há, não que tenha sido divulgado à sério, mas cinco anos são um prazo racional, para refino e adaptação da tecnologia para o uso automotivo. Já o Brasil...

Ver mais aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.





sábado, 15 de setembro de 2012

A Ford se adianta à GM


A Ford aumentou a corrente e a tensão da rivalidade com a General Motors. Enquanto a GM festeja as novas baterias que dobrarão a autonomia em modo eléctrico do híbrido Volt, a oval azul as está lançando na linha 2012/2013 do Fusion Hybrid e dos C-MAX.

Os números convencem até os céticos da mobilidade à bateria: São pacotes 50% mais leves, e 30% menores e mais baratos do que os utilizados até agora. O resultado é a média de 20km/l no grande e pesado Fusion, mais econômico do que o Prius, que em tese está em uma faixa sócio-econômica inferior. O C-MAX passa dos óptimos 33 para 40km/l.

A Chevrolet ainda pode se gabar de uqe o Volt é muito mais eléctrico do que os Ford, ainda mais agora, o que não se aplica ao Toyota. De qualquer forma, as alfinetadas épicas ente Ford e Chevrolet prometem estender a tecnologia a mais modelos das marcas.

Vêm para o Brasil? Provavelmente sim, já que o Fusion Hybrid já é vendido por aqui com relativo sucesso, e o Volt já roda pelas mãos da directoria da GMB. Pode-se esperar um ligeiro desconto nos preços dos três modelos, mas não a ponto de empolgar, algo como ganhar o valor da licença e do seguro, na hora da compra.

Há ainda o Fusion Energi, pronto para ser lançado, com modificações de mecânica e aerodinâmica, para utilizar com mais eficiência o pacote de 240V. Além do tradicional 2,5l Duratec, dois EcoBoost de 1,6 e 2l, ciclo otto, estarão disponíveis. Além de revestimentos e processos de fabricação com muito menos impacto energético e ambiental. O 2l imitação de Aktinson é disponível como opcional, mas não recomendo. A tração é integral, em nome da segurança.

Website do C-MAX, clicar aqui.
Website do Fusion Hybrid, clicar aqui.

domingo, 9 de setembro de 2012

Híbrido: A salvação do Wankel


A Mazda decidiu dar uma nova chance ao eficaz e frugal motor de pistões rotativos, o Wankel. Após ter tirado o RX8 de linha, pelas dificuldades em enquadrar seu motor nas normas normas de emissões, embora este ele ainda seja fabricado para reposição e varejo, a Mazda decidiu apostar suas fichas rotativas nos híbridos.

As vantagens são inúmeras. A suavidade do funcionamento é só uma delas. É como imaginar o motor do teu carro sem a parte de cima, só com a que fica do coletor de escapamento para baixo, e uns bons centímetros a menos no comprimento. Visualmente, isto é um motor Wankel. Sua facilidade em ganhar rotação o torna particularmente apreciado no automobilismo, e útil como motogerador de um híbrido.

Peças como válvulas e agregados, comando de válvulas e bielas, simplesmente não existem nele. Enquanto em um motor comum, os pistões sobem e descem, transmitindo a energia às bielas, que se movem pendularmente, e etão a retransmitem ao virabrequim, que é o que realmente gira lá dentro, com as perdas inerentes ao processo, no rotativo os pistões giram e transmitem o giro directamente ao virabrequim, que é muito mais simples do que o do outro.

Para terem uma idéia, com reles 1308 cilindradas, o RX8 desenvolve 238cv a 8500rpm, empurrados por 22kgfm a 5000rpm. Este trunfo é também outro problema do motor, ele gira demais, por isso esquenta demais e sua concepção demanda um grau de precisão muito elevado, o que não combina com temperaturas muito altas. Ainda não se desenvolveu um sistema de refrigeração que elimine o problema a contento. Sinceramente? Se as outras montadoras tivessem levado o projecto adiante, mesmo que só em competições e usos estacionários, as pesquisas resultantes já teriam resolvido os problemas, e hoje um motor rotativo poderia ser até mais barato do que um de pistões alternantes.

O calcanhar de Aquiles do motor rotativo, nem é a vedação, que isto a engenharia contorna, nem a durabilidade, idem. O problema real é que o combustível padrão no mundo é imundo, e obriga os motores a se distanciarem muito de seus rendimentos potenciais, para não poluírem demais. Tanto que o Fusca Itamar, quando lançado, só tinha opção para álcool, levaram cerca de um ano e o corte de alguns cavalos-vapor, para adequá-lo às normas de emissões da época, para usar gasolina. Certo que a gasosa nacional é um lixo, mas isso ilustra o drama do Wankel.

Mas qual a origem? Resumidamente, foi concebido pelo alemão Felix Wankel em 1924, com patente obtida em 1933. Durante a década de 1940, ele aperfeiçoou o motor, eliminando sua tendência auto destructiva. Os esforços foram imensos. Foi inclusive lançado um automóvel nos anos sessenta, o NSU Ro 80, que utilizava um motor rotativo de 955cc e 115cv, e aproveitava para dar um show de design, com uma carroceria aerodinâmica, com traseira mais alta do que a frente, algo que levou outros vinte anos para ser regra.

Com muitas montadoras comprando a idéia, o projecto parecia ser o substituto imediato para o motor de bielas, mas os problemas de durabilidade com materiais de vedação, e o completo desconhecimento da assistência técnica a respeito, enterraram a promessa. Somente a Daimler-Benz e a Mazda insistiram, mas somente esta para uso comercial. Ironicamente, projectos de aeronaves e embarcações ainda mantém a saúde comercial do motor rotativo, já que nestas áreas não há as demandas de emissões, e a assistência técnica é sempre de ponta... ou o avião cai. 
 
Um motor Wankel devidamente refinado, para poder se adequar às regras de emissões, ou até para usar combustíveis plantados, será muito melhor do que as imitações de ciclo aktinson que Prius e Fusion usam. As vantagens, além do baixíssimo peso e do pouco espaço que ocupa, está na redistribuição de massas, que tornará o carro mais neutro nas curvas, aumentando bastante a segurança. Com os novos materiais e métodos de produção, como a prototipagem rápida, o sonho de Felix ainda tem um fio de esperança.

Não foram estipulados prazos nem detalhes técnicos, o que posso assegurar é que os japoneses descobriram um meio de vida perene para o motor alemão.






Website da Mazda, clicar aqui.
Algo sobre o motor, clicar aqui, aqui, aqui e aqui.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Ousadia bávara: i3 e i8 a caminho do Brasil

Fonte da imagem: http://www.gizmag.com/bmw-i3-i8-electric-hybrid-cars/19427/

Em sincronicidade e aparente resposta a um secretário que provou não saber sequer fazer as quatro operações básicas, aqui, afirmando que os carros eléctricos são uma solução incompleta, quando até os texanos estão investindo pesado neles, a BMW confirmou planos de trazer a marca BMWi para o Brasil.

Toda a operação de invasão electrobavara começa em Setembro, depois de amanhã, sob a batuta do brasileiro Carlos Côrtes, executivo que comanda a gerência de marketing e vendas da submarca, e já demonstrou ser habilidoso com propostas ousadas.

A estrutura de vendas corporativas e diplomacia já está pronta e agindo, na surdina até ser tarde demais, típico da cultura teutônica.
Fonte da imagem: http://www.gizmag.com/bmw-i3-i8-electric-hybrid-cars/19427/

Os modelos serão o hatch i3 e o esportivo i8, que virão ao mercado praticamente iguais aos conceitos que os originaram, e arrancaram suspiros a ponto de influenciar o novo desenho do Série 3. As vendas começam já em 2014, provavelmente para o natal de 2013. Este, aliás, que será o ano de lançamento oficial dos modelos.

O i3 é um compacto com autonomia para 224km em condições e velocidades européias, provavelmente beire os 250km aos nossos 100km/h. O motor traseiro central gera pico de 170cv e torque de 25,5kgfm, que o levam da imobilidade a 100km/h em 8s, com máxima de 150km/h. Se levar em conta a proposta do carrinho, ele empolga. O tempo de recarga, com as baterias completamente descarregadas, o que quase nunca acontece, é de seis horas. A recarga rápida dá 80% em uma hora. Preço previsto de 29.900 Euros, sem os incentivos que a maior parte do mundo oferece.

 O i8 é um híbrido com um motor eléctrico de 128cv no eixo traseiro, e um impressionante três cilindros de 1500cc que gera 217cv, eles empurram o bólido de 0 a 100 em menos de 5s, com máxima limitada a 250km/h. Opções de carroceria coupé e spider. O motor eléctrico é um auxiliar perene, tanto que suas baterias permitem apenas 30km de autonomia solitária, comedimento que deve ser revisto em breve, quando o Chevy Volt estrear as novas baterias. O consumo médio é de 44km/l. Preço previsto de 170.000 Euros, sem os incentivos que a maior parte do mundo oferece.

E volto a avisar: Eles já estão a caminho. A BMWi já se instalou no Brasil e espera apenas o lançamento mundial para começar a vendê-los por aqui. Interessante notar que, pelo preço, o i3 será um concorrente directo e altamente incômodo para o Nissan Leaf, com vantagens óbvias de design, status e carisma.





Mais detalhes, ver aqui, aqui e aqui.
Website da BMW Brasil, clicar aqui.
Blog da BMW (sim, um blog) clicar aqui.

domingo, 19 de agosto de 2012

Híbrido por uma pechincha

Jay, Brent, Ken e Dr Charles. Photo divulgação.
 Vejam só do que é capaz uma universidade pública, se levada devidamente à sério. Deixa a maioria as nossas particulares parecerem escolinhas de primário, adaptadas para ensino superior.

Muita gente já deve ter se questionado sobre a viabilidade de converter seu carro, já com certa idade, para híbrido. Opções não faltam, mas todas elas têm problemas que fogem à responsabilidade dos leigos. Uma opção é importar um kit, há vários, ma são todos bem caros e geralmente se utilizam de motores acoplados à transmissão, ou adaptados às rodas que não têm tração, por meio de reduções, acrescentando muita massa e volume ao carro. Outra é adaptar os kits para eletrificar, que há no Brasil, que por serem importados em certa quantidade, são bem mais em conta e a mão-de-obra nacional assegura a adequação aos nossos carrinhos, mas ainda assim prevêem a utilização de uma transmissão; são melhores para um plug-in puro. Ainda há a opção de fazer por conta própria, mas isso só aconselho aos que têm um bom conhecimento no ramo, porque tudo estará por sua conta e risco, sendo muito fácil ser enganado por espertalhões de outros países, pela internet. Quem garrante que aquelas baterias de polímero de lítio, vistas por uma bagatela no e-bay, são realmente o que o vendedor afirma? E quem garante que elas realmente são do vendedor, e não um fake para arrancar dinheiro de incautos?

Jay montando o hub-motor. Photo divulgação.
Bem, estudantes da Universidade de Middle Tenessee, orientados pelo professor Dr Charles Perry, desenvolveram uma solução. Por cômodos três mil dólares é possível aumentar entre 50% e 100% a autonomia de seu automóvel, utilizando-se de auxílio eléctrico. O sistema todo é simples e inteligente, dois hub-motors são instalados ao redor dos freios, disponibilizando até 27kgfm, que empurram bem um carro médio americano, sem perdas, sem desgastes, sem acréscimo de massa e volume inerentes a uma transmissão. Não é preciso sequer fazer cortes ou acrescentar reforços ao veículo. Basta mexer nos cubos das rodas e acomodar a parte de alimentação e gerenciamento.

A cobaia foi uma perua Honda Accord 1994, com cerca de 1350kg a 1450kg de peso em ordem de marcha, não informaram a versão, que se tornou um 4X4 com a conversão. Usando só as baterias, ele roda apenas 56km a 64km/h. Parece pouco, mas a função é apenas de auxílio, não de hibrido pleno. Além do mais, rodar só na cidade não é problema para essa autonomia. A simplicidade do kit e a pouca quantidade de baterias é que garantem o preço acessível.

Compensa colocar em um carrinho nacional? Compensa. A durabilidade do conjunto aumenta muito, e o kit fica altamente sobredimensionado. Um hatch popular, com carga total, não é mais pesado do que aquele Accord, vazio. Compensa mais para frotistas e taxistas, porque os motores embutidos permitem ao à combustão, funcionar em rotações e condições de consumo que não conseguiria sozinho; este é um dos segredos do baixíssimo consumo de híbridos modernos, como os da Fisker (46km/l), Volvo (53hm/l) e Porsche  918 hybrid, um bólido capaz de passar de 320km/h, com consumo médio de 33km/l. Claro que eles utilizam tudo o que há de mais sofisticado no mundo, mas não se duvide que um Mille bata na casa dos 30km/l sem grandes exigências.

O objectivo é colocar o kit no mercado, onde a escala de produção vai derrubar o preço já em conta, por agora estão em negociações. Se bem que a simplicidade o torna muito fácil de copiar, enfim... A equipe é formada por: Suneth Wattage, Brabdon Crowell, Ken Gendrich, Brend Brubaker e Jay Perry, que não é parente do Charles. Para efeito didático, o conjunto de baterias e controladores foi simplesmente colocado no porta-malas, mas pode ser instalado debaixo dos bandos e no console do painel, sem problemas.




Mais obre o trabalho dos alunos, clique aqui e aqui.
Website da Middle Tennesseee State Universit, clique aqui.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Os americanos estão chegando, de novo!

Autor da imagem: Daniel Dirald. Todos os direitos reservados.
 Com a Toyota batendo de frente e a Volkswagen determinada a ser a maior montadora do mundo, a General Motors tem um motivo para investir em diferenciais, especialmente um já consagrado, o Volt. Mal anunciaram as pesquisas avançadas para uma bateria com várias vezes a densidade energética das melhores íons de lítio, por uma fração do preço, e a dama da gravata dourada já se apossou da novidade.

O anúncio é oficial e claro, o Volt com autonomia de 320km no modo eléctrico está saindo do forno, pronto para começar os testes práticos. Sem adiantar maiores dados técnicos, típico da GM, a promessa é de que o hatch fique até mais barato com as novas baterias, que provavelmente são as deste artigo aqui. A intenção é clara, tornar seus eléctricos quase tão baratos quanto os convencionais à combustão de mesmo nível social. Isso porque os leitores já sabem o quanto o comprador de um Tesla desembolsa por um eléctrico que possa fazer uma boa viagem sem medo.

Ok, então a GM vai monopolizar mais uma patente? Duvido. Embora a fornecedora já seja notória, qualquer empresa do ramo conseguiria fazer o mesmo, apenas mudando detalhes para escapar das leis de direitos autorais. O que eles querem é chegar na frente, sem os problemas de um projecto feito às pressas. Eu esperava em que cinco anos as baterias de lítio comuns ficassem obsoletas de verdade, me vejo obrigado a antecipar as previsões em dois anos, no mínimo.

Paralelamente, a Chrysler confirmou a intenção de lançar não só a Ram 1500 híbrida, como hibridar ou electrificar toda a sua gama de modelos, a começar pela Town&Country, que estava condenada à morte antes do anúncio, por causa da Dodge Journey.

Fonte da imagem: http://onsurga.com/

De quebra, corremos o "risco" de pagar menos até pelos bólidos da Tesla, em um futuro próximo, lembrando que a marca já deu andamento na papelada para desembarcar oficialmente no Brasil.

Juntando tudo isso, além da certerza de que essas baterias virão antes e mais baratas do que se imaginava, volto a dizer: Tio Sam não está brincando. Eles estão aprendendo com seus erros mais depressa do que se esperava, estão fazendo muita cousa sem o estardalhaço de antes, até ser tarde demais. A parte boa da América, é este o nome do país, está voltando à tona, à bordo de seus carrões, é claro.